Perigo ignorado: todos os dias, 217 pessoas desaparecem no Brasil

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Foto: Imagem ilustrativa/ Foto: Adobe Stock

Foi provado pela ciência que a dor de perder um filho é um dos piores estresses que o ser humano pode passar. Imagina não saber o que aconteceu com seu filho, amigo, pai, mãe ou irmão?

Todos os dias no Brasil, 217 famílias passam pela angústia de ter um ente querido desaparecido, segundo o Anuário de Segurança Pública de 2020. Apenas no ano passado, 79.275 pessoas desapareceram no Brasil.

Ivanise Esperidião atua como ativista por melhores condições na busca por desaparecidos há mais de 20 anos, devido ao desaparecimento de uma filha sua, em dezembro de 1995. Na época, a filha de Ivanise, Fabiana, tinha apenas 13 anos.

Até hoje, Ivanise não tem uma resposta sobre o paradeiro da moça. “Quando se enterra um filho, o pai passa por um luto real, porém quando ele desaparece, você nunca pode ter certeza do que aconteceu realmente”.

Os desaparecimentos são classificados de três formas: voluntário (fuga do lar devido a desentendimentos familiares, violência doméstica ou outras formas de abuso dentro de casa), involuntário (afastamento do cotidiano por um evento sobre o qual não se possui controle, como acidentes ou desastres naturais) e forçado (sequestros realizados por civis ou agentes de Estados autoritários).

O desaparecimento forçado é o mais assustador para as famílias. Redes de pedofilia, tráfico de órgãos, prostituição e escravidão moderna estão entre os motivos para um desaparecimento forçado.

Independentemente das circunstâncias do desaparecimento, os familiares enfrentam a incerteza sobre o que aconteceu com seu ente querido. Eles navegam entre a angústia da espera e a expectativa do encontro.

A incerteza e a esperança aprisionam as famílias em buscas sem fim, e, muitas vezes, em um luto que nunca se realiza. Não são poucos os prejuízos econômicos, sociais ou jurídicos, e as consequências à saúde e aos afetos destas pessoas. Muito frequentemente elas passam a viver isoladas, imaginando que o desaparecimento é uma tragédia individual.

Atualmente, questões importantes permanecem em aberto e ainda não é possível afirmar quantas famílias seguem esperando por seus entes queridos. Desde 2018, muitos estados e o DF passaram a informar no Anuário o número de pessoas encontradas.

Um maior número de estados passou a organizar e reportar registros de desaparecimento. E, finalmente, em 2019, uma lei federal estabeleceu a Política Nacional de Busca e o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas.

Serviço:

Contato imediato: em caso de desaparecimento de alguém, a família deve comunicar à polícia imediatamente. Não se deve esperar 24h, como muitos acreditam.

Prevenção contra desaparecimentos de crianças: é indicado que a criança tenha um documento de identidade (RG) desde cedo. Também é importante ter fotos 3×4 da criança atualizadas a cada ano.

Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP): Para auxiliar nas buscas, a 4ª Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas divulga na internet a foto da pessoa desaparecida que for enviada ao departamento policial.

PLID (Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos): Para saber mais informações de como se prevenir ou reagir em um caso de desaparecimento, o PLID também disponibiliza materiais de apoio (como cartilhas, apresentações e artigos) e links úteis sobre o tema. Para um contato direto, acesse a página do PLID no Facebook.