Pobreza atinge mais da metade das crianças brasileiras na primeira infância

Políticas Públicas
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Pobreza na primeira infância foi tema do programa Brasil ODS, no mês de junho; durante o episódio, especialistas apontaram as saídas possíveis para romper esse ciclo de pobreza

Pobreza atinge mais da metade das crianças brasileiras na primeira infância
Imagem: Freepik

Por Sabrina Azevedo

Especialistas apontam como a pobreza impacta o desenvolvimento ainda na barriga da mãe, reforçando a importância de políticas públicas voltadas para esse período. O programa Brasil ODS recebeu Sofia Rebehy, do Instituto Futuro é Infância Saudável (INFINIS) e da Fundação José Luiz Setubal, e Bruno Komatsu, do Núcleo de Desenvolvimento e Primeira Infância (NDPI).

Um estudo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) mostra que 10 milhões de crianças brasileiras até 6 anos estão no Cadastro Único, representando 55,4% da população nessa faixa etária. Dentre elas, 670 mil (6,7%) vivem com até R$ 218 por mês, linha definida como pobreza ou extrema pobreza.

Mais de meio milhão de crianças em extrema pobreza

A pobreza na infância está diretamente relacionada a fatores como renda, raça, escolaridade dos pais, classe social e local de moradia. Essa desigualdade, segundo os especialistas, começa ainda durante a gestação, quando o acesso a uma rede de saúde qualificada, à nutrição adequada e ao apoio familiar, já é desigual entre diferentes grupos sociais.

Bruno Komatsu, pesquisador do Núcleo de Desenvolvimento e Primeira Infância (NDPI) e professor no Programa Avançado em Gestão Pública do INSPER e autor do livro Ciência da Primeira Infância, comenta o efeito que a pobreza extrema e a desigualdade têm na primeira infância.

“A taxa de pobreza extrema entre famílias cujos responsáveis são negros ou indígenas é maior em comparação com as famílias cujos responsáveis são pessoas brancas ou amarelas. Todos esses problemas e questões relacionados à pobreza expõem ainda mais a população negra. Há estudos que mostram que essas condições têm impacto direto sobre o desenvolvimento infantil”.

Clique aqui para ouvir o programa completo!

Caminhos para garantir dignidade às crianças

O dado mais alarmante do estudo é o número absoluto de crianças vivendo em condições de extrema vulnerabilidade. Além da renda familiar extremamente baixa, essas crianças enfrentam geralmente a ausência de saneamento básico, moradia precária, insegurança alimentar e acesso limitado à educação infantil.

A realidade evidencia que a desigualdade social afeta a infância antes mesmo do nascimento, comprometendo o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo de milhões de brasileiros desde os primeiros anos de vida.

Sofia Rebehy, do Instituto Futuro é Infância Saudável (INFINIS), à frente da área de filantropia e advocacy da Fundação José Luiz Setubal, comenta sobre o posicionamento de quais políticas públicas poderiam começar a resolver esse problema, que ainda se faz presente em nosso país, e promover o desenvolvimento adequado na primeira infância.

“É uma responsabilidade de toda a sociedade, mas, nas políticas públicas, eu daria destaque para as áreas de saúde, educação e assistência, no sentido da importância de focalizar, que as políticas focalizem nas crianças que mais precisam, para que a gente consiga dar esses saltos necessários para diminuir a desigualdade e quebrar ciclos intergeracionais de pobreza.”

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo AlmeidaGabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistasnos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Este programa colabora com o ODS 1 (Erradicação da Pobreza), cujo objetivo é foca na erradicação da pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, e com o ODS 10 (Redução das Desigualdades), que foca na redução das desigualdades dentro e entre os países.

Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.