Prêmio MOL reconhece reportagens que inspiram solidariedade e a cultura de doação
Cultura de DoaçãoEm sua 4ª edição, o Prêmio MOL reuniu produções de diferentes regiões do país e homenageou a jornalista Luciana Barreto, celebrando seu comprometimento com um jornalismo atento às questões sociais, raciais e de direitos humanos

*Por Lucas Neves
A 4ª edição do Prêmio MOL de Jornalismo para a Solidariedade reconheceu produções jornalísticas focadas em fortalecer a cultura de doação e a solidariedade. Realizada na última terça-feira (07/04) no Teatro FECAP, em São Paulo, a premiação é uma iniciativa do Instituto MOL, criado em 2020 como um braço social do Grupo MOL.
O evento, realizado no Dia do Jornalista, contemplou reportagens que ampliam o olhar sobre as diferentes formas de solidariedade, evidenciando narrativas que conectam territórios, denunciam desigualdades e apontam caminhos possíveis para a construção de um país mais justo. Ao todo, foram 19 produções vencedoras em 7 categorias diferentes.
Entre os vencedores está Victor Manoel, graduando pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e primeiro lugar na categoria Jovem Jornalista. Ele é o autor da matéria “Quem ajuda quando o rio transborda?”, a qual conta a história das redes de doação e solidariedade que costumam assumir a linha de frente em respostas às enchentes no Acre.
Em entrevista ao Observatório, Victor disse que a inspiração para a pauta surgiu quando ele foi tocado profundamente por uma conversa com um amigo, morador de um bairro conhecido por alagar com frequência.
Segundo ele, a ideia era criar uma matéria que, ao falar sobre o apoio aos afetados, fugisse do assistencialismo e trouxesse um reconhecimento profundo às redes de solidariedade, entrevistando e humanizando as pessoas envolvidas.
“Eu não gosto muito do ‘termo dar voz’, acho que a gente não dá voz pra ninguém, a gente dá ouvidos. Nós ouvimos porque todo mundo tem uma voz muito potente. Eu acredito que o jornalismo entra aí, garantindo que essas pessoas tenham um espaço para poder falar e inspirar a gente”, comentou Victor.
O Observatório também conversou com Marcus Vincax, produtor da TV Globo e vencedor do Prêmio MOL na categoria de Jornalismo Tradicional em Vídeo, com a série de reportagens especiais do Jornal Nacional para a COP30, intitulada “Esperança e meio ambiente: o renascimento dos biomas brasileiros”.
Marcus contou que a série de matérias sobre recuperação ambiental surgiu com o propósito de trazer esperança em um contexto pessimista da crise climática. “Vimos que o noticiário no geral, não só na TV Globo, estava muito pesado. Então a gente pensou: que tal a gente ir um pouco nessa contramão, neste período de COP30, e mostrar o que está dando certo aqui no Brasil?”
O material premiado fala dos brasileiros que possuem seus próprios pedaços de terra e que, ao fazerem o simples, estão conseguindo salvar e transformar esses espaços.
Conforme Marcus, a ideia da série é inspirar a audiência do Jornal Nacional e trazer um viés otimista. “As coisas estão ruins sim, não está fácil. Mas calma, vamos nos unir para que elas possam melhorar. Era essa a mensagem que queríamos passar.”
Homenagem à jornalista Luciana Barreto

Além disso, esta edição do Prêmio MOL prestou uma homenagem especial à jornalista Luciana Barreto, que recebeu o Troféu Helaine Martins. Este reconhecimento visava celebrar a sua trajetória comprometida com um jornalismo atento às questões sociais, raciais e de direitos humanos.
Em entrevista, Luciana contou sobre a emoção de receber este prêmio em uma data especial e simbólica, como o Dia do Jornalista, e enalteceu o trabalho da Helaine Martins, que dá nome à homenagem.
“É uma emoção estar aqui no Dia do Jornalista com o prêmio da Helaine Martins em mãos. Porque o projeto ‘Entreviste um Negro’ foi realmente algo de uma sagacidade imensa. Todos nós conhecíamos o trabalho dela e a história dela”, comentou a jornalista.
Falecida em 2021, Helaine foi uma jornalista e a criadora do projeto Entreviste um Negro, iniciativa concebida para conectar profissionais negros a comunicadores, incetivando a pluralidade racial nos conteúdos de mídia.
Luciana Barreto também falou sobre a pluralidade do Prêmio MOL, que contemplou reportagens de diferentes territórios brasileiros, produzidas pela mídia tradicional e pelas frentes comunitárias e independentes Nesse sentido, a jornalista lembrou que cabe às novas gerações de profissionais fazer jornalismo de novas maneiras e em novos canais.
No entanto, ela alertou para a importância de manter os pilares básicos do jornalismo e de entender que o jornalista não é um influenciador. “Eu acho que esse jornalismo de redes sociais vai confundir muito as nossas vidas. Enquanto jornalista, você não é a notícia, mas você pode trazer boas notícias”, concluiu.
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