Avanços genéticos e ambientais no Transtorno Obsessivo-Compulsivo Pediátrico

Saúde Infantil
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Saúde Mental – TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo Pediátrico foi tema do programa Brasil ODS, no mês de outubro; durante o programa, especialistas destacam estudos que apontam variantes genéticas raras e fatores ambientais, como estilo parental e traumas, influenciam o surgimento do TOC em crianças e adolescentes

Pesquisadores destacam avanços genéticos e ambientais no Transtorno Obsessivo-Compulsivo Pediátrico
Imagem: Canva

Por Sabrina Azevedo

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pediátrico afeta entre 1% e 4% das crianças e adolescentes, e novas pesquisas têm revelado que tanto fatores genéticos quanto ambientais desempenham papel fundamental em seu desenvolvimento. O programa Brasil ODS trouxe para discutir essa questão Carolina Cappi, PH.D., Gustavo Estanislau, Médico Psiquiatra e Ergon Cugler, pesquisador.

Um estudo conduzido pela pesquisadora Carolina Cappi identificou, pela primeira vez, um tipo específico de variação genética associada ao TOC infantil, abrindo novas perspectivas para o diagnóstico e o tratamento da condição.

No artigo “Caracterização de Variantes Raras de Número de Cópias de DNA no Transtorno Obsessivo-Compulsivo Pediátrico”, Carolina Cappi e sua equipe conseguiram demonstrar, com o uso de tecnologia avançada de sequenciamento genético, que crianças com TOC apresentam taxas significativamente mais altas de variantes raras no número de cópias do DNA em comparação às saudáveis.

Os resultados fortalecem a hipótese de que o TOC pediátrico é um transtorno psiquiátrico com forte componente hereditário. A pesquisadora, que é Ph.D. e professora assistente no Departamento de Psiquiatria da Rutgers University, reforça que compreender as bases genéticas do transtorno pode ajudar no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de diagnóstico precoce e de tratamentos personalizados.

O papel dos fatores ambientais e familiares

Apesar da relevância da genética, especialistas destacam que o ambiente também exerce influência significativa no surgimento e agravamento dos sintomas. O médico psiquiatra e pesquisador Gustavo Estanislau, do Instituto Ame Sua Mente, ressalta que crianças criadas em contextos familiares muito controladores ou conservadores podem apresentar maior predisposição ao TOC, especialmente quando associadas a outros fatores emocionais.

Segundo ele, “um estilo parental mais controlador pode gerar níveis elevados de ansiedade, o que contribui para o surgimento ou a oscilação dos sintomas ao longo do tempo”. Além disso, Estanislau aponta que experiências traumáticas, situações de violência e perfis de personalidade mais perfeccionistas também podem favorecer o desenvolvimento do transtorno.

Clique aqui para ouvir o programa completo!

Essas observações, complementadas pelo pesquisador Ergon Cugler, da FGV e conselheiro da Presidência da República, reforçam a necessidade de olhar o TOC pediátrico sob múltiplas perspectivas, biológica, emocional e social, para garantir uma abordagem mais humanizada e preventiva.

Um alerta para escolas e famílias

Os especialistas destacam a importância do papel das escolas e famílias no reconhecimento dos sinais do TOC infantil, como comportamentos repetitivos, necessidade excessiva de organização e angústia diante de mudanças.

Em uma escola com 500 alunos, estima-se que entre cinco e vinte crianças possam apresentar sintomas do transtorno, reforçando a urgência de políticas públicas e programas de saúde mental voltados à infância.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo AlmeidaGabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Este programa colabora com o ODS 3 (Saúde e Bem-estar), cujo objetivo visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades, ODS 4 (Educação de Qualidade), onde pretende assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos, e ODS 10 (Redução das Desigualdades), que visa diminuir as disparidades sociais, econômicas e políticas dentro e entre os países até 2030, promovendo a inclusão de todos, independentemente de gênero, raça, idade, deficiência, etc.

Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.