O que movimentou a economia no Brasil e nos EUA em abril de 2021

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No Brasil, impasse no orçamento de 2021 e CPI da Covid-19, nos EUA, pacote trilionário para infraestrutura e aumento de impostos para mais ricos

Imagem: Adobe stock

Por Jordanno dos Santos

Em abril de 2021, os ativos de risco ao redor do mundo apresentaram retornos positivos no final do mês, todavia, o percurso foi bem volátil, em especial no Brasil.

A indefinição com o Orçamento 2021 ditou o ritmo dos ativos ao longo do mês, deixando o mercado preocupado com possíveis manobras que prejudicassem o bom andamento das contas públicas.

No fim, o texto aprovado e sancionado conseguiu animar os investidores, apesar de não ter sido o melhor dos mundos.

Emendas parlamentares e outras despesas foram vetadas por Bolsonaro, aproximadamente R$ 19,8 bi, enquanto todos os gastos relacionados a COVID-19 foram deixados de fora do teto de gastos. O rombo aprovado no Orçamento 2021 foi de R$ 247 bilhões.

Outro ponto de destaque foi a instalação da CPI da COVID-19, que poderá trazer algumas surpresas ao mercado, aumentando ainda mais a volatilidade dos ativos.

Além disto, os investidores estão receosos se o andamento da CPI poderá interferir na agenda de reformas que estavam engatinhando no Congresso.

Por outro lado, Bolsonaro decidiu nomear novamente o atual presidente do Banco Central para mais um mandato.

A partir de agora, Roberto Campos Neto só poderá sair do cargo em 2024, independente de quem se eleger em 2022, de acordo com a nova lei de autônima do Banco Central.

Este ponto traz mais confiabilidade para a instituição, contribuindo para taxas básicas de juros, a taxa SELIC, mais baixas nos médio e longo prazos.

Nos EUA, o presidente Biden anunciou um pacote na ordem de 1,8 trilhão de dólares para infraestrutura e redução de impostos para as classes mais pobres, por outro lado, pretende financiar parte deste pacote com aumento de impostos para os mais ricos.

O debate político sobre o assunto ainda está acalorado, com argumentos positivos de ambos os lados.

Pelo lado positivo, o pacote poderá acelerar ainda mais a economia do país, que já está em voo alto, além da possibilidade de reduzir a desigualdade.

Na contramão disto, existe o risco de pressionar muito a inflação de curto e médio prazos, um dos maiores medos dos investidores globais, também, o aumento de impostos para parte da população pode aumentar a fuga de capitais e a sonegação, prejudicando o financiamento do pacote e, consequentemente, aumentando a dívida, criando uma bola de neve prejudicial ao crescimento sustentável.

Neste contexto, os títulos públicos indexados à inflação (NTN-B ou Tesouro IPCA) apresentaram retorno médio de 0,65%, os títulos públicos prefixados (LTN, NTN-F ou Tesouro Prefixado) rentabilizaram 0,84%, enquanto os títulos públicos pós-fixados (LFT ou Tesouro SELIC) rentabilizaram 0,07%, mais uma vez abaixo do ativo livre de risco, representado pelo CDI, que rentabilizou 0,21% no mês.

Nos investimentos em renda variável, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, rentabilizou 1,94%.

No exterior, o S&P 500 e o MSCI World, principais índices acionários americano e mundial, rentabilizaram 5,24% e 4,52% respectivamente. O dólar perdeu força em relação ao real, depreciando 5,16%, encerrando o mês cotado a R$ 5,44.

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Sobre o autor:

Jordanno Brunno Nicoletta dos Santos é graduado em Ciências Atuariais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (USP). É sócio diretor na i9Advisory Consultoria, uma consultoria de investimentos independente.