Educação estrangeira: os desafios de manter o idioma longe do país natal
Educação
Segundo dados da UNESCO, 40% da população mundial não têm acesso à educação em sua própria língua, o que reforça um desafio estrutural que vai muito além da sala de aula. Em um mundo globalizado, cresce o debate sobre a valorização da língua materna — seja na cultura, na educação ou nas artes.
Esse desafio se torna ainda mais complexo para aqueles que vivem longe de seu país de origem. Somente no Brasil, o número de estrangeiros alcançou a marca de 1 milhão de residentes, de acordo com o Censo 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mais do que um meio de comunicação, a língua materna representa um alicerce histórico e uma ferramenta de resistência cultural. Nesse contexto, a educação desempenha um papel central não apenas na inclusão social, mas também na preservação da identidade pessoal e cultural.
Conciliar o ensino de uma língua global, como o inglês, com a necessidade de incluir alunos internacionais na cultura e na sociedade em que passam a viver — sem diminuir ou apagar sua língua materna — é um grande desafio.
Esse princípio orienta as práticas adotadas por escolas internacionais como a The British College of Brazil, em São Paulo, que combina o desenvolvimento de uma língua comum de comunicação com a valorização das identidades linguísticas e culturais de seus alunos.
A escola recebe estudantes brasileiros e também alunos de mais de 40 nacionalidades, incluindo famílias britânicas, australianas, coreanas, japonesas e argentinas.
De acordo com Maurice Hartnett, diretor da instituição, a língua é compreendida como um elemento essencial tanto da identidade cultural quanto do desenvolvimento educacional. Muitos alunos chegam ao Brasil já trilingues ou multilíngues e, em escolas internacionais, são incentivados a continuar utilizando seus idiomas de origem enquanto aprendem formalmente português, inglês e espanhol:
“A educação linguística tem como objetivo ampliar o repertório dos alunos, não substituir sua língua materna, ensinando o português e o inglês como línguas comuns de comunicação. Ao mesmo tempo, é importante estimular que utilizem seus idiomas de origem em contextos sociais, culturais e colaborativos. Esse equilíbrio permite que se integrem plenamente à comunidade escolar sem perder o vínculo com sua identidade cultural”, explica Hartnett.
O diretor reforça ainda que o ambiente escolar deve ser estruturado para celebrar a diversidade linguística, incentivando os alunos a se comunicar em diferentes idiomas — e até combinálos de forma espontânea. Segundo ele, essa convivência multilíngue estimula a empatia, a curiosidade e o respeito intercultural.
Além disso, eventos culturais e pedagógicos que celebram tradições, músicas e costumes de diferentes países fortalecem o intercâmbio cultural e ampliam a compreensão global dos estudantes. Ao oferecer espaços seguros para que expressem suas identidades linguísticas enquanto utilizam línguas comuns para a interação, as escolas promovem uma comunidade educativa baseada no diálogo, no pertencimento e na valorização das diferenças.
