Enquanto 10 milhões passam fome, Brasil joga toneladas de comida no lixo

Não é de hoje que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Um dos exemplos que refletem essa desigualdade é o desperdício de alimentos e o número de pessoas que passam fome no país.
Dados da pesquisa sobre hábitos de consumo e desperdício de alimentos apresentados no “Seminário Internacional União Europeia – Brasil: Perdas e desperdício de alimentos em cadeias agroalimentares: oportunidades para políticas públicas”, revelam a dimensão do problema: 41,6 quilos de comida são desperdiçados por pessoa a cada ano.
Diariamente, cada família brasileira joga fora 353 gramas, o que dá um alarmante total de 128,8 quilos de alimento que deixam de ser consumidos e vão parar nos contêineres de lixo.
Somente no Brasil, são desperdiçadas 23,6 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que representa mais de 40 quilos por pessoa ao ano.
Entre os alimentos mais descartados estão o arroz (22%), a carne bovina (20%), o feijão (16%) e o frango (15%), presentes nas refeições da maior parte da população.
O arroz e o feijão, que encabeçam a triste estatística, são dois dos principais ingredientes de um cardápio considerado ideal para suprir as necessidades de nutrientes do organismo.
Na contramão desse desperdício, existem milhões de brasileiros que passam fome no país. A fome é uma das mais cruéis situações que o ser humano pode passar, e faz parte da vida de 10,3 milhões de brasileiros.
Em cinco anos, aumentou em cerca de 3 milhões o número de pessoas no país em situação de insegurança alimentar grave (fome), chegando a, pelo menos, cerca de 10,3 milhões os brasileiros nesta situação.
Dos 68,9 milhões de domicílios no Brasil, 36,7% estavam com algum grau de insegurança alimentar, atingindo 84,9 milhões de pessoas.
E as crianças estão entre os brasileiros mais afetados por essa situação alarmante. Pelo menos metade das crianças com até cinco anos viviam em lares com algum grau de insegurança alimentar. No total, são 6,5 milhões de crianças vivendo sob essas condições.
Fonte: WWF Brasil
