Festival ABCR mobiliza captadores de recursos de todo o Brasil

Cultura de Doação
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Foram mais de 1 mil participantes durante os dois dias de evento, em São Paulo; o propósito do festival é fomentar debates sobre o futuro da captação de recursos no terceiro setor, por meio de conteúdos inspiradores e geração de conexões

Crédito: Renata Cavallaro

Por Lucas Neves

Na última semana, a cidade de São Paulo recebeu a 17ª edição do Festival ABCR, um dos maiores eventos de captação de recursos da América Latina e do planeta. Durante os dias 16 e 17 de junho, o Centro de Convenções Frei Caneca acolheu mais de 1 mil participantes, os quais tiveram acesso a diversas palestras, mentorias, plenárias e uma feira de expositores.

O propósito do festival é fomentar debates sobre o futuro da captação de recursos no terceiro setor, por meio de conteúdos inspiradores e troca de ideias. Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor (OTS), a presidente do conselho deliberativo da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos), Flavia Lang, exaltou a presença do público e comentou o aumento de participantes, principalmente em relação às primeiras edições.

Segundo ela, o crescimento do festival pode ser reflexo de uma evolução da captação de recursos no Brasil. Para Flavia, o segmento está se tornando “mais estruturado, com cada vez mais cursos, conteúdos e informações disponíveis em português para estudo, o que antigamente não tinha”.

Ainda sobre o avanço da captação de recursos no cenário nacional, a presidente do conselho da ABCR apontou o processo de profissionalização como uma das maiores conquistas, mas afirmou estar ainda longe do ideal.

“Não é aquele lugar onde a gente já deveria estar ou gostaríamos de estar, porque ainda existe muita coisa para a gente evoluir. Mas esse caminho, desde a fundação da ABCR, está sendo trilhado”, destacou Flavia.

Ao ser perguntada sobre o processo de definição das palestras e atividades do festival, Flavia comentou que a ABCR montou uma “equipe dos sonhos”. “Formamos um comitê com perfis diversos, mas de pessoas reconhecidas no mercado por suas trajetórias e com muito conhecimento”, disse. Assim, a ideia era entender os temas mais relevantes para o festival e selecionar os palestrantes capazes de abordar esses conteúdos.

Tecnologia e a captação de recursos

O festival apresentou palestras dos mais variados temas, sendo todos pertinentes à captação de recursos. A tecnologia, por exemplo, esteve presente em diversas discussões. Para Flavia, este é um dos principais pontos que deve ser discutido para o avanço da mobilização de recursos no terceiro setor. 

Com o avanço tecnológico de ferramentas de pagamento, como o PIX, e a adesão maior às inteligências artificiais (IAs), Flavia acredita que não aproveitar esses artifícios pode ser um erro, gerando estagnação.

“É preciso pensar em como usar a tecnologia disponível da melhor forma possível, utilizando nossa criatividade para trazer mais recursos e mais doadores”. No entanto, ela afirmou ser importante lembrar sempre que pessoas doam para pessoas, sendo o contato humano parte fundamental da equação.

Impacto do Festival ABCR

Durante o evento, o Observatório do Terceiro Setor conversou com algumas organizações sociais e representantes do terceiro setor, buscando entender a importância de participar do festival. Nesse sentido, a oportunidade de troca de experiências foi um dos fatores mais citados como ponto forte do evento.

“É muito legal ver as possibilidades de colaboração no setor, por isso acredito muito nesses espaços de encontro. A articulação entre as diferentes organizações e os trabalhadores do terceiro setor, captadores e organizações financeiras pode ser muito rica, tornando os encontros presenciais muito produtivos”, disse Mariana Campanatti, diretora-executiva do Instituto Mol.

Outro ponto levantado pelos participantes do Festival ABCR foi a capacidade do evento em promover conversas intersetoriais. Esse foi um dos apontamentos feitos por Douglas Gonzalez, coordenador do Movimento por uma Cultura de Doação (MCD). 

Ele esteve presente em uma das palestras, abordando a pesquisa Termômetro da Doação, realizada pelo Movimento por uma Cultura de Doação (MCD). Segundo Gonzalez, é possível dizer que a captação de recursos e a cultura de doação são “duas faces de uma mesma moeda”.

“Aproximar a captação com o lado social, que é super importante, faz a gente trazer algumas questões críticas sobre como captamos, onde captamos e como fazer isso. Então, eu acho que é saudável que ambas questões estejam andando de mãos dadas”, completou.

Presença do Observatório do Terceiro Setor no Festival ABCR

O Observatório do Terceiro Setor esteve presente no Festival ABCR com um estúdio de audiovisual. Durante os dois dias de evento, a agência de comunicação, especializada no terceiro setor, recebeu diversos convidados para trocar experiências sobre captação de recursos e outros temas de interesse da sociedade civil.

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