Fundação ArcelorMittal e UNESCO firmam parceria inédita pela educação no Brasil

Educação
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Em entrevista ao Observatório, Camila Valverde, diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal, falou sobre o objetivo e as expectativas do acordo com a UNESCO; a cooperação espera impactar cerca de 13 mil alunos e professores da rede pública brasileira

Fundação ArcelorMittal formalizou parceria para a capacitação de educadores e estudantes da rede pública. (Crédito: Divulgação ArcelorMittal)

*Por Lucas Neves

Durante evento realizado em dezembro, a Fundação ArcelorMittal formalizou uma parceria inédita com a UNESCO. O acordo de cooperação técnica e financeira visa o fortalecimento da educação pública para o desenvolvimento sustentável, por meio da abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

Com duração inicial de 36 meses, a parceria entre as organizações focará em capacitação de alunos e professores da rede pública. É esperado que a cooperação beneficie cerca de 13 mil participantes em todo país, a partir de ações presenciais e virtuais.

O Observatório do Terceiro Setor entrevistou Camila Valverde, diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal. Durante a conversa, ela falou sobre os objetivos do acordo com a UNESCO e o foco da fundação no setor educacional, além de comentar o impacto da abordagem STEAM.

“Uma das diretrizes globais da ArcelorMittal de sustentabilidade — inspirada nos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) — é formar os engenheiros e engenheiras talentosos do amanhã”, disse Camila. 

Segundo ela, essa diretriz de formação educacional motivou o surgimento da Liga STEAM, uma iniciativa estratégica da Fundação ArcelorMittal com a missão de conectar parceiros e somar forças para o investimento em educação no Brasil. 

O projeto busca difundir a abordagem STEAM, a metodologia que valoriza a contribuição coletiva em sala de aula e a aplicação de conhecimentos de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.

“Na prática, ela se traduz em trazer para o professor o conhecimento de uma abordagem integrada dessas ciências, para que o aluno consiga resolver — por meio de ações práticas vivenciadas em sala de aula — essas ciências, aplicando-as no seu cotidiano”, explicou Camila.

A Liga STEAM está entre os pontos do acordo. Nesse sentido, a UNESCO passa a atuar como parceira técnica do Prêmio Nacional Liga STEAM, uma das principais iniciativas da Fundação ArcelorMittal no Brasil e que está inserida no programa de formação de educadores Liga STEAM. 

Além disso, a organização internacional dará suporte no desenvolvimento de materiais pedagógicos, qualificando ainda mais a competição que estimula o pensamento crítico e a resolução de problemas nas escolas.

Conforme Camila, a fundação desenvolveu uma série de ações estratégicas para a educação nos últimos 5 anos, ganhando experiência e musculatura no tema. A partir da parceria, ela acredita ser possível otimizar tudo que já tem sido feito.

“Estar com a UNESCO numa cooperação técnica pela educação brasileira, com este foco do STEAM, é uma grande realização para a gente”, ressaltou Camila. Para ela, esse acordo representa um salto de qualidade, uma vez que agora a fundação traz “a qualidade técnica de quem tem o maior ‘know how’ no mundo, em termos de educação”.

O papel das organizações sociais na educação pública

Camila também falou sobre a importância das organizações da sociedade civil trabalharem em prol da educação, uma vez que, os governos não conseguem suprir todas as demandas exigidas para um ensino público de qualidade. 

Em sua visão, o terceiro setor tem o papel de dar uma contribuição metodológica e de recursos, a partir de recortes específicos. “No nosso caso, com recorte do STEAM para ciências e tecnologia, que vai contribuir para o desenvolvimento do país, lá na frente, quando despertamos o interesse do jovem em seguir essas carreiras”.

Entendendo o papel da Fundação ArcelorMittal e das organizações da sociedade civil em geral, no escopo da educação, Camila concluiu abordando a expectativa de impacto social da parceria com a UNESCO. “Contribuir para a mudança do comportamento das futuras gerações, com uma consciência socioambiental maior, para vivermos melhor enquanto sociedade”.