Ninguém mandou você sonhar
Educação

Por Marina Pechlivanis
Gente é sonho.
O setor social é feito, assim como tudo na sociedade, de gente.
Na verdade, tem gente de todos os tipos, de todos os lados: para mapear e diagnosticar uma demanda social e endereçar soluções; para dar suporte relacional e financeiro; para pedir atenção e suporte frente a lacunas de subsistência e dificuldades de sobrevivência; para estudar cientificamente os ocorridos e buscar correlações; para atuar na infraestrutura e gerar transformações; para organizar e divulgar as informações; para gerar mobilização.
E gente é mais do que razão social, números de impacto e volume de dinheiro.
Simbolicamente falando, podemos dizer que tudo começa com um sonho.
Sonho é desejo de transformar, é força de vontade e perseverança. É uma forma de ver um mundo mais harmônico, respeitoso, equilibrado, saudável.
Parece óbvio, mas não são instituições, institutos, entidades, organizações ou empresas que sonham, e sim as pessoas que fazem parte deste ecossistema.
Sonhando junto.
Pensando em colaboração, em inteligência coletiva, não tem coisa mais significativa do que um parceiro que diz: “acredito no seu sonho, sonho junto com você e vamos fazer acontecer”.
Pode ser suporte financeiro, de rede de contatos, voluntariado, apoio moral, endosso e recomendação.
Por outro lado, não tem nada mais sem noção do que gente como a gente que, ao invés de se solidarizar, diz: “isso não é problema meu, não conte com o que você não tem: ninguém mandou você sonhar”.
Como se vivesse em outra dimensão e se colocasse fora da questão.
Acordar para a realidade.
Quem me conhece sabe que sou especializada em fundamentações teóricas e práticas das relações de troca. Na teoria, com meus livros Gifting, Economia das Dádivas, Gestão Sistêmica para um Mundo Complexo, Gestão de Encantamento, Protagonismo Infantil e O Efeito Warm Glow, entre outros. Na prática, com três décadas de trabalho no mundo dos negócios, na empresa de posicionamento de marca e cultura corporativa que fundei em 1999, a Umbigo do Mundo, e, nos últimos cinco anos, com a Plataforma de Educação para Gentileza e Generosidade. Na verdade, sou observadora e permanente aprendiz do instável, incontrolável, imprevisível e surpreendente comportamento humano. Também sou sonhadora e acredito que, sim, as pessoas podem se esforçar para que os relacionamentos sejam mais saudáveis e colaborativos e os ganhos, coletivos.
O que me moveu a dedicar tempo, energia, recursos e entusiasmo em desenvolver este ecossistema de soluções para levar mais gentileza, generosidade, solidariedade, sustentabilidade, diversidade, respeito e cidadania para toda a sociedade foi o paradoxo entre o que se fala e o que realmente se faz quando o assunto é responsabilidade social, inclusão, ética, compliance e ESG.
A transformação social se faz no olho no olho das conversas do dia a dia. Na conduta, e não no falatório. Na simplicidade, na proximidade, na cumplicidade.
Fazer bem-feito, exigir quando for de direito, mostrar resultados, expor regras claras e, principalmente, com respeito, é o mínimo de qualquer relação decente, seja lá em que setor. Sem humilhar, sem ameaçar, sem desdenhar, sem joguetes de força e de poder. Afinal — e não há o que fazer — estamos todos juntos, interconectados e interdependentes.
Vivemos em rede.
O que cada um faz ou deixa de fazer interfere no todo.
Assim como as palavras que são proferidas, em especial as desmotivadoras e ofensivas.
Quem, em algum momento, já não passou por isso? Por isso, fique longe dos destruidores de perspectivas e expectativas, que podem estar em todos os setores, inclusive no setor social. Talvez, parafraseando Spinoza, seja uma grande “ignorância das verdadeiras causas”.
Meu recado rimado: “nunca desista de sonhar: é só encontrar, pelo caminho, as pessoas certas e tudo vai melhorar!”.
Na dúvida, acesse https://www.gentilezagenerosidade.org.br/desenvolvimentohumano — pode ser um excelente começo.
Boas observações e boas reflexões! Até a próxima.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
