Perigosos? Ditadura militar no Brasil prendeu crianças de 2 a 9 anos

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Crianças fichadas pelo antigo DOPS/SP

A ditadura militar que o Brasil viveu entre os anos de 1964 e 1985 teve entre seus presos políticos crianças. De caráter autoritário e nacionalista, a Ditadura Militar no Brasil, teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente democraticamente eleito no país.

Apesar das promessas iniciais de uma intervenção breve, a ditadura militar durou 21 anos. Além disso, o regime pôs em prática vários Atos Institucionais, culminando com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), de 1968, que vigorou por dez anos.

Os atos institucionais incluíam torturas, assassinatos, ocultação de cadáver (até hoje vários corpos de presos políticos não foram encontrados) e também prisão e fichamento como “elemento subversivo” de crianças de apenas 2, 5 e 9 anos de idade.

Foi o caso de Ernesto Carlos Dias do Nascimento, que com apenas dois anos de idade foi preso pela equipe do DOI-Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo. Ele foi preso junto com a mãe, Jovelina Tonello, e o pai, Manoel Dias do Nascimento, ambos militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Ernesto foi fichado como “elemento subversivo” e permaneceu um mês detido.

Sua avó, Tercina Dias de Oliveira, conhecida entre os resistentes por “Tia”, também fora presa com outros três netos menores de idade: Zuleide Aparecida do Nascimento, de apenas 3 anos; Luiz Carlos Max do Nascimento, de 5 anos; e Samuel Dias de Oliveira, de 9 anos. Todos ficaram detidos no Juizado de Menores. Ernesto foi libertado ao lado de sua avó Tercina e acompanhado de seus primos somente depois da troca realizada pelo sequestro do embaixador alemão Von Holleben, capturado pela resistência armada, em junho de 1970.

Nesta transação, 44 presos políticos foram banidos do país por decreto do general-presidente Emílio Garrastazu Médici, entre eles o pequeno Ernesto. De 1970 a 1986, Ernesto esteve exilado em Cuba com sua avó, seus primos e outros envolvidos com a resistência. Em Havana, estudou e formou-se técnico de projetos mecânicos, profissão que exerce atualmente no Brasil.

A ditadura atingiu o auge de sua popularidade na década de 1970, com o “milagre econômico”, no mesmo momento em que o regime censurava todos os meios de comunicação do país e torturava e exilava dissidentes. Na década de 1980, assim como outros regimes militares latino-americanos, a ditadura brasileira entrou em decadência quando o governo não conseguiu mais estimular a economia, controlar a inflação crônica e os níveis crescentes de concentração de renda e pobreza provenientes de seu projeto econômico, o que deu impulso ao movimento pró-democracia.

O regime acabou quando José Sarney assumiu a presidência, o que deu início ao período conhecido como Nova República.


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