Brasil tem 6 mil militares em cargos políticos, o dobro do governo anterior

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Hoje, o governo conta com 6.157 militares da ativa e da reserva ocupando cargos civis políticos. O número é mais que o dobro do que havia em 2018, no governo Temer

Foto: Marcos Corrêa/PR

Recentemente, iniciou-se no país uma discussão sobre o número de militares em cargos políticos. Hoje, o governo conta com 6.157 militares da ativa e da reserva ocupando cargos civis políticos.

O número é mais do que o dobro do que havia em 2018, no governo Temer. Além disso, representantes das Forças Armadas estão em mais de 90 cargos de comando político.

Desde a Constituição Federal de 1988, as Forças Armadas são constituídas pelas instituições nacionais Marinha, Exército e Aeronáutica. Além de proteger o país, esses grupos destinam-se também à garantia dos poderes constitucionais (Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), e da lei e da ordem.

Para o mestre em ciência política, Dr. Valdir Pucci, não há problema em militares estarem presentes na política, mas é preciso tomar alguns cuidados. “Estudamos há muitos anos sobre esse assunto. É bacana sim, mas eles precisam ter a competência necessária para o exercício do cargo exigido. Precisamos lembrar que a forma de fazer política não é igual à forma que o meio militar se comporta, principalmente no que se refere a hierarquia. E se a hierarquia de um militar pode ser comprometida devido a um cargo civil e isso precisa ser discutido”, explica.

“A experiência em 1964 foi traumática para a maioria dos militares e para parte da sociedade. Então, tudo que aconteceu nesse passado recente reflete na discussão da presença deles hoje em dia no meio político. As pessoas precisam entender qual foi o legado daquele período e o que pode significar para o Brasil de 2021”, concluiu o especialista.

A ditadura militar que o Brasil viveu entre os anos de 1964 e 1985 teve entre seus presos políticos crianças. De caráter autoritário e nacionalista, a ditadura militar no Brasil, teve início com o golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente democraticamente eleito no país.

Os atos institucionais incluíam torturas, assassinatos, ocultação de cadáver (até hoje vários corpos de presos políticos não foram encontrados) e chegou ao ponto de prender e fichar como “elementos subversivos” crianças de apenas 2, 5 e 9 anos de idade.

Apesar das promessas iniciais de uma intervenção breve, a ditadura militar durou 21 anos. Além disso, o regime pôs em prática vários Atos Institucionais, culminando com o Ato Institucional Número Cinco (AI-5), de 1968, que vigorou por dez anos.

Fonte: R7


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