Todos Pela Educação lança recomendações para mitigar impacto da crise climática nas escolas

Educação
Compartilhar

“Não adianta temos as melhores metodologias do mundo para garantir aprendizagem de português e matemática, se a escola estiver inundada, repleta de fumaça tóxica ou com calor de 40 graus”, disse Fabiana Prianti, Head da B3 Social, que sediou evento do Todos Pela Educação sobre a crise climática nas escolas

Evento ocorreu em São Paulo, na Arena B3 (Foto: Cauê Diniz/B3)

Por Lucas Neves

O Todos pela Educação e a consultoria Vozes da Educação divulgaram, nesta terça-feira (28), um conjunto de 25 recomendações para tornar redes e escolas mais preparadas para lidar com a crise climática. Este lançamento ocorreu durante evento na B3 (Bolsa do Brasil), em São Paulo, onde estavam reunidos autoridades, gestores e especialistas da educação.

Apoiado pela B3 Social, o evento se propôs a reforçar a urgência de incorporar a resiliência climática como eixo estruturante das políticas educacionais, garantindo a continuidade da aprendizagem e a segurança de estudantes e profissionais da educação.

Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, Fabiana Prianti, Head da B3 Social, afirmou que a principal causa da instituição é a melhoria estrutural da educação pública brasileira, mas alertou que os impactos das mudanças climáticas antecedem a aprendizagem.

“Não adianta temos as melhores metodologias do mundo para garantir aprendizagem de português e matemática, se a escola estiver inundada, repleta de fumaça tóxica ou com calor de 40 graus”, disse.

Importância do trabalho multissetorial

Tanto o evento quanto o documento lançado destacaram a necessidade de um trabalho multissetorial para combater os impactos das mudanças climáticas e os eventos extremos na educação escolar. Nesse sentido, o texto recomenda que haja “instituição de comissões intersetoriais permanentes”.

Para Fabiana, a instauração de um trabalho multissetorial é um dos principais desafios da agenda, uma vez que essa pauta exige a articulação com gestores públicos dos níveis federal, estadual e municipal.

Entre as propostas do documento estão medidas estruturais, como a criação de diretrizes nacionais de governança compartilhada para situações de emergência, definindo com clareza as responsabilidades de cada ente federativo.

O papel da sociedade civil pela educação resiliente

O Todos Pela Educação é uma organização independente que faz advocacy pela Educação Básica brasileira. Focado em estimular a formulação e implementação políticas públicas educacionais, a entidade questiona o poder público e propõe soluções a partir de estudos e evidências concretas.

Segundo Luana Smeets, Gerente de Políticas Públicas no Todos pela Educação, as organizações da sociedade civil têm um papel muito importante em dar destaque para os problemas sociais e, principalmente, sugerir caminhos possíveis. “A sociedade civil pode levantar dados e evidências, transformando-os em conhecimentos para identificar lacunas e as possibilidades de ações coletivas”.

Luana Smeets conduziu um dos painéis do evento. (Foto: Cauê Diniz/B3)

Como a crise climática impactam na educação básica?

Mas afinal, quais são as reais influências da crise climática na educação brasileira? A gerente de Políticas Públicas no Todos pela Educação comentou que um dos principais impactos diretos diz respeito à interrupção das aulas.

 “Quando eventos hidrológicos, chuvas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor ou frio acontecem, eles costumam criar uma comoção pública que gera a interrupção do processo educativo. E aí, uma criança que não vai para a escola não aprende”, salientou Luana.

O número de eventos climáticos extremos cresceu no Brasil. Entre 2020 e 2023, os dados oficiais mostraram uma média anual de 4.077 desastres relacionados ao clima no país, segundo pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em muitos casos, quando existem desabrigados, as escolas são fechadas e, às vezes, até servem como espaço de acolhimento para as vítimas, impactando o cronograma escolar.

No Todos Pela Educação, temos metas que dizem respeito ao acesso, permanência e aprendizagem. Quando um evento interrompe o processo educativo, essas três metas vão quase por água abaixo”, afirmou Luana, destacando este como o principal fator que levou à criação das 25 recomendações.