Vida longa aos abridores de portas
Educação

Por Marina Pechlivanis
Oportunidade é tudo na vida.
Boas oportunidades, quem não quer? Todo mundo, e isso não é de hoje. Já dizia Goethe, sabiamente: “quem sabe aproveitar a ocasião é um homem de oportunidade”. Demóstenes, visionário, identificou que “pequenas oportunidades podem ser o início de grandes empreendimentos”. Mas, refletindo aqui sobre o terceiro setor, me inquieta mesmo uma reflexão de François Rabelais sobre o nosso poder de, mais do que localizar oportunidades para nós mesmos, oferecer oportunidades para as pessoas ao nosso redor: “Conheço muitos que não puderam, quando deviam, porque não quiseram, quando podiam.” É a prova de que fazer a diferença na vida de alguém pode estar em nossas mãos.
Portas são oportunidades.
Pensar em oportunidades é pensar em portas. Portas que se abrem: que alguém abre para nós ou que abrimos para alguém. Ou portas que se fecham: que alguém fecha para nós, ou que fechamos para alguém.
E como isso pode impactar e transformar uma vida. Muitas vidas.
Usando a metodologia Estrela-Guia da Excelência do Encantamento, da Umbigo do Mundo, que está nos livros Gestão de Encantamento I e II, uma forma prática de entender este conceito é com o circuito de encantamento e desencantamento com base no Páthos, palavra que em grego é a palavra que representa tudo aquilo que afeta o corpo ou a alma; são as emoções, as condições e as sensações que se experimenta.
Confira como os prefixos mudam completamente o sentido desse poderoso verbete e identifique a postura — simpática, antipática, apática, empática ou telepática — que mais combina com as pessoas, institutos, fundações, organizações e empresas com os quais você se relaciona. E com você também.
- Neutralizando as emoções e acrescentando um “a” (negação), temos apáthos, a apatia. Um estado de impassibilidade e insensibilidade, de desinteresse geral. Falta ânimo, desejo e energia; e há indiferença e desprezo nas relações, com reações neutras ou mesmo ausência de reações frente a qualquer estímulo.
- Integrando-se o prefixo “syn” (com), forma-se a sympatheia, a conhecida simpatia: uma relação de afinidade por proximidade de pensamentos e sentimentos; uma atração por alguma coisa, ideia, causa, pessoa. Sem contar a disposição de gentileza para atender às solicitações de alguém de forma agradável, amistosa e receptiva.
- O oposto da sympatheia é antipatheia, em português: antipatia, formada com o prefixo “anti” (contra). Representa a falta de afinidade e a incompatibilidade, gerando um sentimento instintivo que afasta, em forma de repulsão e aversão, proporcionando relações e experiências desagradáveis que se procura evitar.
- Na lista das palavras mais queridinhas do momento, está a empatia, que surge com o acréscimo do prefixo “en” (integrado): empatheia. Evolução da simpatia, pressupõe identificação e compreensão de sentimentos, desejos e ideias pelo envolvimento emocional que propõe, despertando a confiança e surpreendendo: estar atento para ver e ouvir, e aberto para responder, mudar, melhorar, aprimorar, transformar.
- Antecipando o futuro e acrescentando o prefixo “tele” (distância), surge a telepatheia. Sim: telepatia. Aqui acontece uma antevisão ou uma previsão de eventos distantes e futuros, ultrapassando as expectativas: nem bem as pessoas formularam um desejo ou necessidade, já há soluções endereçadas para não apenas resolver pontualmente, mas pensando de forma integrada e sistêmica.
As consequências de abrir ou fechar portas.
Ninguém encanta ninguém com condutas apáticas, que são resultantes de posturas e pensamentos apáticos também. Às vezes, tão desagradáveis quanto a apatia, são as condutas simpáticas-mecânicas, que se relacionam repetindo um script (roteiro) de efeito robotizado, repetindo a mesma coisa para todas as pessoas e sem muita preocupação com os outros. Ninguém gosta. É muito impessoal. Assim como ninguém gosta das falsas-simpáticas, que querem adular, se fazem de boazinhas e próximas, mas só estão agindo por interesse próprio, criando expectativas, atuando de forma unilateral, fazendo falsas promessas ou descumprindo com estratégias previamente acordadas.
O que não falta são estudos em psicologia, antropologia, sociologia, educação, saúde mental, entre outras áreas… para confirmar a hipótese de que condutas, gestos e palavras podem tanto trazer bem-estar, qualidade de vida e felicidade, como podem gerar prejuízos materiais e danos à saúde física, mental e relacional. E isso pode ser inesquecível.
O que você fizer pode ficar na memória.
Não há muito o que fazer, e cada um registra as coisas como bem entender. Na verdade, você pode ter controle sobre a sua própria forma de agir, mas não tem nenhum controle sobre a forma como as outras pessoas vão reagir. Pode fazer algo que parece ser bom e justo, mas que foi interpretado como danoso e injusto.
Mesmo assim, a depender de como você se comporta, você pode mostrar as suas verdadeiras intenções: de colaborar, de ser solícito, de acolher, de querer resolver… Ou de ignorar, fazer de conta que não é com você, tratar como se não fosse um problema seu ou até atrapalhar. Sim: tem até quem complique de propósito, inviabilize de forma premeditada, faça questão de que não dê certo. Tem de tudo nesse mundo, inclusive no setor social.
O fato é que todo mundo vai ser lembrado de alguma forma. Uns ficarão na memória por seus gestos gentis e generosos. São os portadores de oportunidades: abrem portas, mostram caminhos, são estrelas-guia de alguém. Quem são estas pessoas na sua jornada?
Outros, nunca serão esquecidos por desrespeito, deselegância, arrogância, prepotência, discriminação, preconceito, descaso, preguiça ou medo de agir e assumir, acreditando que assim serão mais poderosas, fortes, respeitadas, influentes. São os travadores de possibilidades: mesmo com o poder de decidir e com recursos à disposição, sentem prazer em dizer “não”. Pensou em alguém?
Analisar os outros é mais fácil. E você, é quem na frente da porta e com uma boa oportunidade na mão?
Na dúvida, acesse https://www.gentilezagenerosidade.org.br/desenvolvimentohumano — tudo de bom para estabelecer uma boa relação.
Boas observações e boas reflexões! Até a próxima.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor
