Seguindo exemplo da mãe, filhas de Marie Curie também se destacaram
Irène Joliot-Curie ganhou o Nobel de Química pela descoberta da radioatividade artificial e Ève Curie foi correspondente de guerra e ativista pelos direitos humanos

Por: Isabela Alves
Marie Curie foi a primeira mulher a vencer o prêmio Nobel – e conseguiu receber o prêmio em duas áreas. Na primeira, que ocorreu em 1903, ela dividiu o Nobel de Física com o marido. Na segunda vez, em 1911, recebeu o Nobel de Química.
O que muita gente não sabe é que as duas filhas de Marie Curie, Irène e Ève, também merecem ser lembradas pelos próprios feitos.
Em 1935, Irène recebeu, junto com o seu marido, o Nobel de Química pela descoberta da radioatividade artificial, o que fez com que a família Curie se tornasse a família com mais prêmios Nobel até hoje.
Ève se tornou escritora, ativista de direitos humanos e foi a responsável por escrever a biografia da mãe.
Em 19 de abril de 1906, Pierre Curie, marido de Marie, morreu atropelado repentinamente. Esse foi um dos maiores golpes da vida de Marie, já que ele era seu marido, melhor amigo, parceiro de trabalho e o pai de suas filhas.
Irène tinha 8 anos na época, enquanto Ève tinha apenas 2. A dor da perda fez com que Marie se dedicasse ainda mais ao seu trabalho, o que fez com que suas filhas acabassem sendo cuidadas por outras pessoas, como o avô e as tias.
Apesar da rotina corrida, Marie sempre estava presente na educação das meninas. Elas foram educadas principalmente em casa, já que Marie reuniu um grupo de acadêmicos para lhes dar aulas.
Durante a Primeira Guerra Mundial, aos 17 anos, Irène trabalhou ao lado da mãe na instalação de máquinas de raio-X móveis nos campos de batalha para que os soldados pudessem receber um tratamento médico melhor. Ela também atuou como enfermeira radiológica em hospitais de campanha.
Ela se dedicou aos estudos sobre a radioatividade natural e artificial, a transmutação de elementos e a física nuclear. Em 1937, ela se tornou professora na Faculdade de Ciências de Paris e depois diretora do Instituto de Rádio em 1946, que ficou conhecido mais tarde como Instituto Curie.
Por outro lado, Ève se dedicou ao piano e chegou a se apresentar em concertos na Europa. Posteriormente, ela decidiu se dedicar à escrita, tornando-se crítica de música e cinema. Com a ocupação nazista em 1940, ela se engajou politicamente na causa “França Livre”.
Ela atuou como correspondente de guerra e cobriu várias frentes de batalha durante a Segunda Guerra Mundial, viajando para o Irã, Iraque, Índia, China, antiga Birmânia (atual Mianmar) e norte do continente Africano. Suas experiências resultaram no livro ‘Jornada Entre Guerreiros’, obra que dedicou à mãe.
No último ano de vida da mãe, Ève se tornou a sua principal confidente. Após a morte de Marie em 1934, Ève passou a escrever a biografia da cientista. O livro ganhou o nome de ‘Madame Curie’. Publicada em 1937, logo se tornou um best-seller, o que fez Ève ganhar vários prêmios literários.
Posteriormente, ela se casou com Henry Labouisse, um diplomata americano que entre 1965 e 1979 foi diretor-executivo do Unicef. Ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1965.
Ève se tornou uma ativista de direitos humanos e visitou muitos dos mais de 100 países em desenvolvimento que recebiam assistência do Unicef na época. Por conta da sua dedicação às causas sociais, ela ficou conhecida como “a primeira-dama do Unicef”.
Apesar de terem seguido caminhos diferentes, as duas filhas de Marie Curie brilharam nas suas trajetórias.
Irene morreu em 1956 aos 58 anos, após sofrer de leucemia, possivelmente causada pela exposição prolongada a material radioativo. Sua mãe faleceu da mesma causa. Eve morreu aos 102 anos, em 2007.

Fonte: UOL

24/04/2021 @ 08:46
A educação é feita pelo exemplo